Dengue: diagnóstico e cuidados

10-04-2011 19:25

Entenda a doença, seus sintomas e tratamentos e saiba como combatê-la

Cansaço, febre, dor no corpo. Sintomas que poderiam ser de uma simples gripe podem ser dengue, doença transmitida pela mosquito Aedes aegypti. O verão acabou mas a doença continua fazendo vítimas por todo Brasil. Fique atenta ao combate, por que evitar a proliferação do mosquito causador ainda é a solução mais eficiente contra esse mal.

 

A dengue no Brasil

A situação é alarmante. O Estado do Rio de Janeiro já registra 25 mortes causadas pela dengue. Acre, Amazonas, Pará, Maranhão, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Goiás também tiveram óbitos confirmados.

 

A Secretaria de Vigilância em Saúde recebeu 2.365 notificações de suspeitas de casos graves de dengue em todo o país. A maior parte foi registrada no Sudeste, que somou 1.126 notificações (47,6% do total): a maioria no Rio de Janeiro (762), que, nos três primeiros meses de 2011, já possui o número de casos de dengue maior do que o total dos anos passado e retrasado somados.

 

O Aedes aegypti

 

O ciclo de transmissão começa quando a fêmea (só ela transmite a doença) o mosquito pica uma pessoa infectada. O vírus multiplica-se e chega nas glândulas salivares. Uma vez infectado, o mosquito vira vetor permanente da doença, retransmitindo o vírus em cada picada.

 

Proveniente da África, o mosquito, com pequenos riscos brancos, é melhor adaptado às regiões tropicais e subtropicais. Por isso é tão difícil combatê-lo no Brasil. "O que atrai o Aedes para o lugar onde ele irá colocar seus ovos é a umidade. O verão, com suas temperaturas altas e muitas chuvas, faz com que aumente a incidência do mosquito.", explica o entomólogo da Fiocruz Anthony Érico Guimarães.

 

A melhor forma de prevenção é evitar que ele se reproduza, combatendo os focos das larvas em locais de água parada. "Existem basicamente três tipos de controle. O controle físico, que consiste na eliminação dos criadouros - de longe, o mais recomendado. O controle biológico, feito por microorganismos capazes de matar as larvas. E também o controle químico, que é o uso de inseticidas contras as larvas ou os mosquitos adultos.", enumera a bióloga Denise Valle, também da equipe de pesquisadores da Fiocruz.

Existem quatro variações (sorotipos) do vírus da dengue: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Uma vez infectada por um dos sorotipos do vírus, a pessoa adquire imunidade para aquele caso especifico. "Não é importante, nem para o paciente, nem para o profissional de saúde, saber qual sorotipo está provocando a doença. Isso só vai atrasar o tratamento", alerta o secretário de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa.

 

"Como não existe nenhum medicamento específico contra a dengue, a conduta do médico para os tipos 1, 2, 3 e 4 é exatamente a mesma. Há outros exames muito mais importantes, como a contagem de plaquetas e o hemograma, para acompanhar a evolução do paciente e evitar agravamentos e mortes", aconselha.

 

Muito tem se falado sobre a a presença do sorotipo 4 do vírus, que não circulava no Brasil desde a década de 1980 . Ao contrário do que se pensa, este não é um tipo de dengue mais perigosa ou algo do tipo. Os sintomas e tratamentos são os mesmo dos tipos 1, 2 e 3. A única preocupação é com o fato da maioria da população não ter imunidade em relação a este vírus novo, o que aumenta as chances de infecção.

 

Outro cuidado importante é com a automedicação. Como os sintomas da dengue são parecidos com os de outras doenças, é comum recorrermos a remédios em casa, em vez de procurarmos ajuda em um hospital. O uso de medicamentos não indicados podem agravar o caso, como o ácido acetilsalicílico, que altera o mecanismo de coagulação e diminui a função de plaquetas. Não descuide! Ao menor sintoma, procure auxílio médico.

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